Caminhada diária pode ajudar no controle da asma, aponta estudo da USP
Pesquisa mostrou que aumentar o número de passos teve efeito semelhante ao treino aeróbico supervisionado em pacientes com asma moderada a grave.

Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo aponta que aumentar o número de passos diários pode ser uma estratégia eficaz para auxiliar no controle da asma moderada a grave. A pesquisa foi publicada na revista científica Pulmonology e avaliou alternativas não farmacológicas para melhorar a qualidade de vida de pacientes com a doença.
O trabalho foi desenvolvido na Faculdade de Medicina da USP, em colaboração com a Unidade de Doenças de Vias Aéreas da Divisão de Pneumologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas. A pesquisa teve apoio da Fapesp e do CNPq.
Foram avaliados pacientes adultos com asma moderada a grave não controlada, clinicamente estáveis, não fumantes e que estavam inativos antes do início do estudo. As intervenções duraram oito semanas, com reavaliação quatro meses depois.
Os voluntários foram divididos em dois grupos. Um realizou treinamento aeróbico em esteira, duas vezes por semana, com orientação profissional. O outro recebeu acompanhamento comportamental, metas semanais e incentivo para ampliar a prática de caminhadas no dia a dia, com monitoramento por relógio inteligente.
Os resultados indicaram melhora no controle clínico da asma, na qualidade de vida e nos sintomas de ansiedade e depressão nos dois grupos. Segundo os pesquisadores, nenhuma das estratégias apresentou superioridade sobre a outra, o que reforça a caminhada como uma alternativa mais acessível para parte dos pacientes.
A proposta não substitui o tratamento médico. O fisioterapeuta David Halen Araújo Pinheiro, autor do estudo, reforça que atividade física e mudança de comportamento devem funcionar como complemento à medicação prescrita. Pacientes com asma não devem interromper remédios, bombinhas ou acompanhamento médico por conta própria.
A pesquisa tem impacto direto para moradores de São Paulo porque amplia o debate sobre atividade física como parte do cuidado respiratório. Caminhar em parques, praças, ruas planas e equipamentos públicos pode ser uma opção viável, desde que o paciente esteja orientado, respeite limites clínicos e evite períodos de frio intenso, ar seco, poluição elevada ou crises respiratórias.
Serviço ao leitor: pessoas com asma devem conversar com pneumologista, clínico ou equipe da Unidade Básica de Saúde antes de iniciar ou intensificar exercícios. Em caso de falta de ar intensa, chiado no peito, lábios arroxeados, dificuldade para falar ou piora rápida dos sintomas, procure atendimento de urgência ou acione o Samu pelo 192.
Vinicius Mororó – Jornalista Atípico
Editor-Executivo-Regional
Pesquisador ressalta que tanto o treinamento como a intervenção comportamental são um complemento da medicação: "Não podemos jamais parar de fazer uso do tratamento que o médico prescreve", diz David Halen Araújo Pinheiro, da USP. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo